Dialeto do Nordeste

Ai se sesse – Cordel do Fogo Encantado

Conheça termos característicos do Nordeste do País:

Mangar = zombar de alguém

Aperreado = angustiado, estressado

Ó xente = interjeição que demonstra espanto, descontentamento, curiosidade

Pitoco = botão

Bigu = carona

Bizu = dica de vestibular

Vôte = vou te esconjurar, cou te amaldiçoar

Ixi Maria = Interjeição de espanto, contraindo o termo: Virgem Maria

Jerimum = Abóbora

Macaxeira = Mandioca, Aipim

Canjica = Cural de milho

Laranja-cravo = Mexerica

O falar do Nordeste

Foi no Nordeste do pais que primeiramente a língua portuguesa se fixou em nosso território. O início da colonização portuguesa se deu justamente entre os estados de Pernambuco e Bahia, enquanto outras partes do pais só viriam a receber a influência lusitana bem mais adiante.

“Quando fomos colonizados pelos portugueses, as duas primeiras vertentes da língua, pode-se dizer assim, foram Pernambuco e Bahia, porque ficavam mais próxima do Velho Continente. Havia um porto em Recife, outro em Salvador. Mas eram divididos por uma barreira natural, que era o Rio São Francisco. Salvador se tornou a capital do Brasil. O Rio de Janeiro teve o problema da invasão francesa logo no começo e São Paulo foi colonizado pelos jesuítas, que não levaram a língua portuguesa  – eles antes levaram o latim e procuraram aprender o tupi-guarani” – Explica Nelly Carvalho, professora de Letras da Universidade Federal de Pernambuco.

A modalidade de português falada nessa região foi se arcaizando durante a evolução do país. “Em Portugal o português avançou. O que veio para o Brasil foi o português dos colonos, dos degregados, das prostitutas, que eram chamadas de raparigas, jesuítas que foram para o Sul e que na maioria eram espanhóis”.

Sobre as diferenças características entre a forma de falar dos baianos e dos pernambucanos, por exemplo, é destacado a existência da barreira natural entre os estados, que era o rio São Francisco, impedindo que, antes da construção de pontes sobre o rio, houvesse uma troca cultural mais intensa.

Pernambuco mandava do lado esquerdo do São Francisco e a Bahia, do direito. Pernambuco, então, levou a língua para todo o nordeste até o rio Parnaíba, que era outra barreira natural. Com o tempo tivemos outras mudanças (que influenciaram o falar local): vieram os holandeses; nós éramos um porto até meados do século XX bastante movimentado.

Quer dizer: os Pernambucanos tiveram uma história diferente da Bahia e do resto do Brasil. Durante os dois primeiros séculos de colonização, a Bahia e Pernambuco foram os dois maiores centros. Tanto que o movimento literário Barroco foi na Bahia e Pernambuco. Depois a exploração das minas de ouro, e deslocou-se o centro dos interesses para Minas Gerais, quando surgiu o Arcadismo. Depois disso, o interesse se desloca para o Rio de Janeiro, porque em 1808 a família real vem para o Brasil trazendo 15 mil cortesãos que se instalaram ali. O Rio de Janeiro passou a ser o modelo da língua em todo o Brasil – e ainda ostenta esse título que foi reconhecido em dois congressos de língua falada. E São Paulo vem depois, com 1922 (a Semana de Arte Moderna). O Nordeste deixou de ser o foco da língua portuguesa.

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