Gírias de Grupos

Interpretando o passado

 

Entra novela, sai novela e os ciganos continuam dando o ar da sua graça. Ao mergulhar nessa história de gíria, a SUPER deu de encontro com o passado brasileiro. Pasme! A gíria começou a chegar ao país ainda no século XVI, período da colonização. E veio de um jeito muito doido. Banidos de Portugal, só por terem costumes próprios, os ciganos eram condenados a vagar pelos mares, sem destino, anos a fio. Presos nas galés, ou galeras, ali conviviam com vagabundos, bandidos e toda espécie de ralé que os portugueses mandaram então embora do seu território.O contato forçado entre bandidos e ciganos – ou calós, como estavam habituados a se chamar na própria língua -, provocou muita confusão, como é de se imaginar. E muita malandragem: unidos na condenação, errantes e malfeitores viviam de trocar idéia oceano afora. Desse congraçamento, nasceu um vocabulário especial, secreto, o calão. Tem gente que entende ser o calão o mesmo que gíria. Outros destacam o sentido atual, aquele da linguagem que se caracteriza pelo uso do palavrão – por isso, a expressão “de baixo calão”. Certo mesmo é que, depois de muito enjôo, sardinha e tubarão, essa tripulação apocalíptica desembarcou, muitas vezes, em solo tupiniquim. Trazia na bagagem magra apenas um vocabulário rico. As embarcações-prisões lusitanas abandonaram em nossas praias os ciganos e os bandidos – e a gíria.

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