Linguagem cifrada de grupos restritos

Explicar a palavra gíria já é a maior “mão-de-obra”. Ela é sinônimo de geringonça, que se origina do espanhol jerigonza, ou ainda, jerga. Etimologistas acreditam que, por onomatopéia, jerga tenha nascido do verbo latino garrire, ou seja, tagarelar. Mas Deonísio da Silva, professor de Literatura Brasileira da Universidade de São Carlos, lembra outra hipótese: a origem remota estaria no vocábulo grego hierós, que define o que é sagrado, oculto. E destaca a sua característica de linguagem cifrada, compreendida apenas pelos que pertencem à mesma tribo.

Pois toda gíria que se preze vem direto de grupos restritos – dos presos, malandros, surfistas, estudantes e assim por diante. Repara só no que rola dentro de uma prisão. Atrás das grades, os presos não estão assim tão isolados. Eles cruzam muita gente, do carcereiro ao advogado, do médico ao jornalista. A bandidagem bola expressões que ficam de molho, servem de código exclusivo. Até que vem alguém de fora, capta o espírito da coisa e sai dedurando a nova gíria (veja o infográfico ao lado). A prosa alcança os meios de comunicação, que botam a boca no trombone. Depois, a novidade vira conversa de comadre. Então, das três uma: ou a gíria é assimilada pela língua oficial e acaba no dicionário; ou vira lero-lero de poucos, ou todo mundo desencana e esquece. Conclusão: o pessoal que está em cana tem de criar outra conversa para disfarçar. E a ladainha começa de novo.

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